sábado, 13 de agosto de 2011

Guardião Mirim


Exu Mirim

Escrever sobre Exú Mirim se faz necessário nesse momento porque, desde que psicografei o livro Lendas da Criação – A Saga dos Orixás, sua importância na Criação e na Umbanda mostraram-se maior do que imaginava-se.
Não temos escritos abundantes a nossa disposição que ensinem-nos sobre esse Orixá ou que fundamente-o com Mistério Religioso.
Essa falta de textos esclarecedores e fundamentais das suas manifestações religiosas nesse primeiro século de existência da Umbanda deixou Exú Mirim à própria sorte, ou seja: a vagos comentários sobre seus manifestadores que pouco ou nada esclareceram sobre eles e ao que vieram! Inclusive, por terem sido descritos como “espíritos de moleques de rua”, cada um incorporava-o com os típicos procedimentos de crianças mal-educadas, encrenqueiras, bocu­das, chulas, etc.
Foram tantos os disparates cometidos que é melhor esquecê-los e reconstruir todo um novo conhecimento sobre o Orixá Exú Mirim, antes que ele deixe de ser incorporado e relegado ao esquecimento, como já foi feito com muitos dos Orixás que, por falta de informações corretas e fundamentadoras, deixaram de ser cultuados aqui no Brasil.
Nas Lendas da Criação, Exú Mirim assumiu uma função e importância que antes nos eram desconhecidas. A função é a de fazer regredir todos os espíritos que atentam contra os princípios da vida e contra a paz e a harmonia entre os seres. A importância e a de que, sem Exú Mirim nada se pode ser feito na Criação sem sua concordância. Com Exú, dizia-se que “sem ele não se faz nada”. Já, com Exú Mirim, “sem ele nem fazer nada é possível”.
Vamos por partes para entendermos sua importância e fundamentá-lo, justificando sua presença na umbanda.
  1. Cada Orixá é um dos estados da Criação. Um é a Fé, outro é a Lei, outro é o Amor, e assim por diante, independente de suas interpretações religiosas.
  2. Por serem estados, são indispensáveis, insubstituíveis e imprescindíveis á harmonia e ao equilíbrio do todo. O Estado da matéria considerado “frio” só é possível por causa da existência do estado “quente” e ambos na escala celsus indica os dois estados das temperaturas. Sem um não seria possível dizer se algo está frio ou quente; se algo é doce ou amargo, se algo é bom ou ruim, etc. É a esse tipo de “estado” que nos referimos e não a um território geográfico, certo?
  3. Muitos são os estados da Criação e cada um é regido por um Orixá e é guardado e mantido por todos os outros, pois se um desaparecer (re­colher-se em Deus), tal como numa escada, ficará faltando um degrau, e tal como numa escala de valores, estará faltando um grau que separe o seu anterior do seu posterior.
  4. Quando a Umbanda iniciou-se no plano material, logo surgiu uma linha espiritual ocupada por espíritos infantis amáveis, bonzinhos, humildes, respeitosos e que chamavam todos(as) de titios e titias ao se dirigirem às pessoas ou aos Orixás e guias espirituais. Também chamavam os pretos(as) velhos(as) de vovô e de vovó. Até aí tudo bem!
  5. Mas logo começaram a “baixar” uns espíritos infantis briguentos, encrenqueiros, mal-educados, intrometidos, chulos e que dirigiam –se às pessoas com desrespeito chamando-os disso e daquilo, tais como: seu pu.., sua p..., seu v...., seu isso e sua aquilo, certo? E quando inquiridos, se apresentavam como “exús” mirins, os exús infantis da Umbanda numa equivalência com um exú infantil ou um erê da esquerda existente no Candomblé de raiz nigeriana.
  6. Exú Mirim assumiu o arquétipo que foi construído para ele: o de menino mal! E tudo ficou por aí com ninguém se questionando sobre tão con­trovertida entidade incorporadora em seus médiuns, pois ele diziam que todo médium tem na sua esquerda um Exú Mirim além de um e Exú e uma Pomba Gira.
  7. De meninos mal educados, como tudo que “começa mal” tende a piorar, eis que as incorporações de entidades Exús Mirins começaram a ser proibidas nos centros de Umbanda devido a vazão de desvios íntimos dos médiuns que eles extravasavam quando incorporavam nos seus.
  8. De mal vistos, para pior, essa linha de trabalhos espirituais, (onde cada médium tem o seu Exú Mirim), quase desapareceu e só restaram as incorporações e os atendimentos de um ou outro Exu Mirim “muito bom” mesmo no ato de ajudar pessoas.
  9. Então ficou assim decidido, mais ou menos, por muitos:
    1. Exú Mirim existe, é mal educado e incontrolável e de difícil doutrinação.
    2. Vamos deixar Exú Mirim quieto e vamos trabalhar só com linhas espirituais doutrináveis e possíveis de serem controladas dentro de limites aceitáveis.
  10. Exú Mirim praticamente desapareceu das manifestações Umbandistas porque suas incorporações fugiam do controle dos dirigentes e seus gestos e palavrões envergonhavam a todos.
  11. Como é característica humana negar tudo o que não pode controlar e ocultar tudo o que “envergonha”, o mesmo foi feito com Exú Mirim, que existe, mas não é recomendável que incorpore em seus médiuns. Certo?
Errado, dizemos nós, porque muitos médiuns já ajudaram a muitas pessoas com seus exús mirins doutrinadíssimos e nem um pouco influenciados pela personalidade “oculta” de quem os incorporavam.
Todos se adaptam a regras comportamentais se seus aplicadores forem rigorosos tanto com os médiuns quanto com quem incorporar neles.
O melhor exemplo começa com as incorporações comportadas de quem dirige os trabalhos espirituais. E uma boa orientação sobre as entidades ajuda muito porque, o que os médiuns internalizarem sobre elas será o regularizador das entidades.
Agora se, por acaso, o dirigente adota um comportamento discutível, aí seus médiuns o seguirão intuitivamente, pois o tomam como exemplo a ser seguido.
Em inúmeras observações, vimos os médiuns repetindo seus dirigentes e, inclusive, com as incorporações e danças dos guias incorporados neles. Essa assimilação natural ou intuitiva é um indicador de que o exemplo que vem “de cima” ainda é um dos melhores reguladores comporta­mentais.
Agora, quando o dirigente incorpora seu Exú Mirim e este, por ser do “chefe”, faz micagens, caretas, gestos obscenos, atira coisas nas pessoas, xinga-as e fala palavrões, aí tudo se degenera e seus médiuns procederão da mesma forma porque, em suas mentes e inconscientes é assim que seus Exús Mirins devem comportar-se quando incorporados.
Essa foi uma das razões para o ostracismo e que foi relegada a linha dos Exus Mirins. E isto, sem falarmos em supostos Exús Mirins que quando incorporavam ou ainda incorporam por aí afora, pegam ou lhe são dados saquinhos de papel que ficam cheirando, como se fossem as infelizes crianças de rua viciadas em cheira “cola de sapateiro”.
Certos comportamentos, devemos debitar ao arquétipo errôneo construído por pessoas desin­for­madas sobre essa linha de trabalhos espirituais Umbandistas.
  1. Não são espíritos humanos, em hipótese alguma.
  2. Exús Mirins são seres encantados da natureza provenientes da sétima dimensão à esquerda da que nós vivemos.
  3. A irreverência ou má educação comportamental não é típico deles na dimensão onde vivem.
  4. São naturalmente irrequietos e curiosos, mas nunca intrometidos ou desrespeitadores.
  5. Por um processo osmótico espiritual, refletem o inconsciente de seus médiuns, tal como acontece com Exú e Pomba Gira. Logo, são nossos refletores naturais.
  6. Gostam de beber as bebidas mais agradáveis ao paladar dos seus médiuns, sejam elas alcoólicas ou não.
  7. Apreciam frutas ácidas e doces “duros”, tais como: rapadura, pé de moleque, quebra queixo, cocadas secas e balas “ardidas” (de menta ou hortelã).
  8. Se bem doutrinados prestam inestimáveis trabalhos de auxilio aos freqüentadores dos centros de umbanda.
  9. Não aprovam ser invocados e oferen­da­dos em trabalhos de demandas e magias negativas contra pessoas.
  10. Toda vez que seus médiuns os ativam pa­ra prejudicar os seus desafetos seus Exus Mirins se enfraquecem automaticamente já acon­teceram inúmeros casos de médiuns que ficaram sem seus verdadeiros Exus Mirins porque os usaram tanto contra seus desafetos que eles ficaram tão fracos que foram aprisionados e kiumbas oportunistas tomaram seus lugares junto aos seus médiuns, passando daí em diante a criar problemas para suas vítimas que ainda acreditavam que estavam incorporando seus verdadeiros Exús Mirins.
  11. Eles raramente pedem seus assentamentos ou firmezas permanentes e preferem ser ofe­rendados periodicamente na natureza, tal co­mo as crianças da direita.
  12. Se bem doutrinados e colocados a serviço dos freqüentadores dos centros umbandis­tas, realizam um trabalho caritativo único e insu­bs­tituível.
Simbologia
A palavra "mirim", em tupi-guarani, significa "pequeno" que, no caso de Exu Mirim, nos revela que ele é um Exu pequeno (jovem, criança, novo) enquanto os outros são grandes (adultos mais velhos, já crescidos).
Portanto, temos o nome "Exu", que é de origem Nagô, e temos "mirim", que é de origem tupi-guarani, em uma fusão de duas línguas, duas religiões e duas culturas por meio da simbologia umbandista.
Então não se assustem se um Exu Mirim apresentar-se com nome cristão ou nome indígena ou nome em alguma língua africana, mas aportuguesado, ou com nomes simbólicos de mistérios "umbandistas".
Inclusive, a apresentação por nomes simbólicos dos mistérios, tais como sete porteirinhas, sete pedrinhas, sete cruzinhas, etc., torna-os independentes das raízes cristã, indígena e africana e mostra-os como "Umbanda", porque esse é o simbolismo desenvlvido na Umbanda para fundamentá-la e dar-lhes autonomia religiosa.


Caracteristicas
BebidaWhisky, licores, cinzano, pinga com mel
Comidafigado bovino picado e frito em azeite-de-dendê, farofa com miúdos de frango, etc.
Fitaspretas e vermelhas
FloresCravo
Frutasmanga, limão, larnja, pêra, mamão
FumaCharutos, cigarros e cigarrilhas
Linhaspretas e vermelhas
Pembaspretas e vermelhas
Toalhas(ou panos) preto e vermelho
Velabicolores(preta e vermelha)

Pontos Cantados
Ele é Exu !
É Exu-Mirim !
Não me nega nada,
Sempre me diz sim !



Exu-Mirim é o meu Exu de fé!
Exu-Mirim é pequeno na quimbanda!
Exu-Mirim saravando a encruza,
Exu-Mirim vencendo suas demandas!



Boa noite gente , como vai ? Como passou? (bis)
Exu-Mirim é pequeninho, mais é bom trabalhador. (bis)
O mercê das minhas almas não zomba de mim
O mercê das minhas almas não zomba de mim
Eu sou pequeninho, eu sou Exu-Mirim
Eu sou pequeninho, eu sou Exu-Mirim



Pedra rolou em cima da samambaia
Em cima de Exu-Mirim balança mas não cai (bis)
Exu-Mirim no morro tá batuqueiro
Batucava noite e dia derrubando feiticeiro (bis)


Pontos Riscados
Ponto Riscado Exu Mirim



Kimbanda
Este Guardião possui grande influência sobre as mulheres e crianças, sendo preferido pelas Mãe de Santo, para os trabalhos de amarração. Apresenta-se com roupagem de criança.

Romãozinho
Romãozinho é uma criatura do folclore brasileiro. Ele é um menino, filho de um agricultor e já nasceu mau e pérfido. Ele sempre gostou de maltratar os animais e destruir as plantas.
Uma vez, sua mãe mandou-o levar o almoço ao pai, que trabalhava na roça. Ele foi de má-vontade. No meio do caminho, ele comeu a galinha, colocou seus ossos na marmita e levou-a ao pai. Quando o pai viu os ossos em vez da comida, ele perguntou o que aquilo significava. Romãozinho, perfidamente, disse:
- Deram a mim isso... Eu penso que minha mãe comeu a galinha com o homem que vai a nossa casa quando você não está lá, e enviou-lhe somente os ossos.
Enlouquecido de raiva, o pai voltou logo para casa, puxou do punhal e matou a esposa. Antes de morrer, a mãe amaldiçoou o filho que ria, dizendo:
- Você não morrerá nunca! Você não conhecerá o céu ou o inferno, nem repousará enquanto existir um vivente sobre a terra!
Romãozinho riu ante a maldição e foi embora. Desde então, o menino nunca cresceu, anda pelas estradas e faz travessuras: quebra as telhas dos telhados a pedradas, assusta os homens e tortura as galinhas.
Mas tambem às vezes faz coisas boas. Há uma historia que diz que uma mulher grávida estava sozinha e entrou em trabalho de parto, e no desespero chamou por Romãozinho e este foi à casa da parteira que depenava uma galinha, a galinha de repente saiu da mão dela e saiu voando, a parteira saiu correndo atrás e a galinha foi jogada na casa da mulher que estva em trabalho de parto.
Este mito é algo semelhante ao do judeu-errante, que também nunca morreu por causa de uma maldição. Muitos acreditam que o Romaozinho atua hoje, em crianças vândalas e menores infratores, que, influenciados pelo moleque fazem as piores crueldades por aí.

Referências
  • Rubens Saraceni
Livros
  • Título : Orixá Exu Mirim
  • Autor : RUBENS SARACENI
Orixá Exu MirimCom o advento do centenário da Umbanda, nada mais pertinente do que explanar sobre um dos Orixás mais controversos da religião: Exu Mirim. A falta de obras do gênero levou Rubens Saraceni a escrever Orixá Exu Mirim - Fundamentação do Mistério na umbanda. Utilizando-se de uma linguagem clara e objetiva, ele desmistifica as vagas informações que foram criadas ao longo do tempo por pessoas que não conhecem a fundo os fundamentos e as formas de manifestações religiosas de Exu Mirim. "Exu Mirim, enquanto mistério divino que se auto-realiza e se aplica a tudo e a todos, vive e atua nos limites nebulosos que separam os dois lados de uma mesma coisa (...) tudo dependendo das intenções íntimas de cada um e de todos em geral.

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